Documentário intrigante

Por Daniella Maya

Esse documentário me deixou no mínimo intrigada. Acima apenas o trailler, mas aqui você pode ver o filme inteiro

“Criança, a alma do negócio”, se chama a produção que destaca, entre outras questões, o poder da publicidade sob as suscetíveis mentes infantis.

Lançado no ano passado, o filme tem sido exibido na TV Cultura e na internet e critica duramente não só o excesso de propagandas direcionadas ao público infantil, como o “corpo mole” do Conar em exigir limites mais rigorosos.

A cena em que as crianças demonstram total desconhecimento do nome de frutas e verduras para posteriormente adivinharem assertivamente o nome de marcas de celular só pelos elementos visuais é realmente chocante para a maioria das pessoas que assistem, admito até que eu mesma quase fiquei chocada também. Quase.

Existe falta de ética e responsabilidade em muitos anúncios direcionados ao público infantil? Sem dúvidas. O Conar deve ser mais rigoroso em estabelecer limites? Certamente. A publicidade é mágica? Não.

É importante lembrar que a publicidade não tem todo esse poder, não é mágica a ponto de passar um comercial e movimentar milhões de consumidores-zumbis aos pontos de venda para consumir cega e irresponsavelmente litros, quilos e milhares de produtos inúteis para suas casas.

O excesso, a falta de tato, de responsabilidade social e ouso até dizer, a falta de princípios na publicidade brasileira influenciam sim as crianças e devem ser reprovados não só pelo Conar, como também pelos consumidores e todos os profissionais da área. Uma boa referência sobre o assunto é o fantástico e polêmico Bob Garfield e o seu livro “Os 10 mandamentos da propaganda”.

Mas se hoje as crianças se tornaram consumistas compulsivas, se possuem 50 pares de sapatos em seus armários ou se reconhecem o M da Motorola ao passo que desconhecem um chuchu, por favor, não coloquem TODA a culpa na publicidade. Que tal partilhá-la com os pais? Que tal 50/50?

Será que o uso de sistemas de recompensas com bolachas recheadas e idas ao shoppings não também não têm sua parcela de culpa? Será que o armário da mãe consumista com 100 pares de sapatos não influencia em nada?

Com o mesmo objetivo da produção, este post é para levantar discussões. Assista ao filme, mas pense sobre o assunto. A questão aqui não é escolher um lado, mas analisar os fatos. Questione, opine, dê seu ponto de vista!

2 Comments »

  1. vanessapouland said

    O objetivo final de toda a propaganda com fins comerciais é vender, por isso é inevitável que seja persuasiva, se o público potencial é a criança fica um pouco mais fácil. Como mãe e publicitária, entendo que vivemos na cultura do efêmero – produzir e consumir signos faz parte. O que podemos fazer pra melhorar é usar do bom senso ( em casa: criando valores diferentes e na publicidade tendo tato como dito no texto).
    Sinceramente, não me preocupo tanto, considerando que somos racionais e desde pequenos (com a ajuda dos pais) possuimos um mecanismo natural de defesa, percepção e capacidade seletiva. Desta forma, a publicidade pode propor, seduzir…. mas não impor regras e condutas.

  2. danymaya said

    Concordo totalmente com seu ponto de vista, Vanessa. Obrigada pela participação!

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